James Iha e os 14 anos de Look To The Sky

Mellon Collie And The Infinite SadnessO guitarrista deixou o grupo americano comandado por Billy Corgan em 2000, aliás, o grupo se desfez em 2000, cada um foi para o seu lado desde então.

Rewind, voltamos para 1998, o Smashing Pumpkins era uma banda de sucesso, mas em baixa, e naquela altura, sem um baterista, exatamente como no início da carreira, já que Jimmy Chamberlin havia se metido em um fatídico episódio onde o tecladista que acompanhava a banda na turnê de 1996 morreu em uma overdose de heroína e foi demitido.

A banda entrou em hiato criativo, e após um dos discos mais brilhantes da cena alternativa dos anos 90, Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), o Pumpkins nadava sem futuro.

Billy Corgan sempre foi uma força criativa enorme, não cedendo muito espaço para os outros membros da banda comporem, isso inclui James, que não teve mais que 2 ou 3 músicas de sua autoria gravadas nos discos da banda enquanto ela esteve ativa.

Pois em 1998 ele pegou todas as suas canções, colocou tudo em um saco de pão e resolveu que era a hora certa, ainda mais com o Pumpkins em hiato.

Era lançado em 10 de Fevereiro de 1998 Let It Come Down, um apanhado de 11 canções de tom acústico que se não embalam o disco perfeito dos anos 90 chega bem perto. Infelizmente, como na maioria dos bons discos, passou despercebido do grande público, talvez tenha sido melhor assim…

O Pumpkins ainda lançaria um novo disco naquele mesmo ano, em 1º de Junho saia Adore (1998), um disco que é divido entre A e B ou você ama ou odeia.

Fast forward… eu mesmo esperava um sucessor de Let It Come Down (1998) desde 2005, quando eu descobri o disco. Sendo um fã de Smashing Pumpkins eu estava curioso com o guitarrista e seu disco, e não me arrependi, até hoje é um dos meus favoritos!

O japa nunca foi um cara nascido para o estrelato, tímido de natureza não fazia questão de aparecer, no entanto participou de muitos projetos e bandas ao longo dos anos. É um tanto injusto dizer que o seu novo disco, Look To The Sky (2012), lançado em 03 de Abril demorou 14 anos para ser lançado, é verdade, mas injusto.

James não ficou simplesmente sentado em seu sofá todo esse tempo. Em 2003 compôs a trilha sonora do filme Luck, em 2005 compôs para a trilha sonora do filme independente Linda Linda Linda e em 2009 a trilha do filme Kakera, na verdade desde sua saída do Smashing Pumpkins ele nunca parou. Participou de discos do Whiskeytown, Fountains Of Wayne, Isobel Campbell, A Camp, Melissa Auf Der Maur (que foi sua companheira nos Pumpkins em 2000), Ivy e Brookville.

James Iha

Também tocou com o A Perfect Circle entre 2003 e 2006 e com eles gravou 3 discos, gravou um disco com a cantora Vanessa St. James em 2005 sob o nome Vanessa And The O’s, e claro, como esquecer o supergrupo alt-pop Tinted Windows, que em 2009 lançou um disco auto-intitulado. Na formação do grupo estavam além de James nas guitarras, Taylor Hanson (Hanson) nos vocais, Adam Schlesinger (Fountains Of Wayne) no baixo e Bun E. Carlos (Cheap Trick) na bateria.

Eu tinha grandes esperanças quanto a esse projeto, mas não passou de um arremedo pop forçado e sem graça…

14 anos! Look To The Sky (2012) saiu sem nenhum alarde pela gravadora EMI, sem nenhuma grande apresentação, nem mesmo em seu site tinhamos informações até a semana do lançamento. Porém aqui o temos (só não espere achar o disco em lojas brasileiras).

Não é nenhuma grande obra-prima devo dizer, pelo menos não logo na primeira audição, James aqui é muito mais variado, segue pra onde acha que deve, sem se preocupar. Não que isso chegue a atrapalhar o disco, pelo contrário, tenho certeza que é o tipo de disco que quanto mais se ouve, mais se gosta. Claro que as melodias bonitas e calmas do 1º disco estão aqui, mas não espere um disco exatamente igual, pois não é, talvez este seja o trunfo de Look To The Sky (2012)!

Um disco bonito e gostoso de se ouvir, mas sinto que é um daqueles lançamentos que serve de pano de fundo, daqueles que se bota pra rodar enquanto nos ocupamos dos afazeres do dia-a-dia ou nos fones de ouvido enquanto trabalhamos e cantamos baixinho e não daqueles que se senta pra ouvir com encarte na mão. E talvez, de novo, esse seja o trunfo do disco, ainda mais nos dias de hoje.

Cito aqui como destaques do disco a perfeição pop recheada de barulinhos do primeiro single ‘To Who Knows Where’, a sensibilidade pop de ‘Till Next Tuesday’, a mistura acústica orquestral de ‘Dream Tonight’ e a que mais lembra o disco de estreia, a ótima ‘Gemini’.

Mesmo que não seja o melhor disco do ano, era mais que aguardado, é de alta qualidade e muito bem recebido por esse que vos escreve, especialmente quando o pop atual é execrado dia após dia por Gaga’s e Rihannas. É sempre bom ver uma luz no fim do túnel pop.

O disco está disponível na Amazon, por US$46,00 e para mais informações visite a page oficial dele no Facebook.

Fotos: Reprodução

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