Nós já fomos mais humildes

Ainda bem que essa semana acabou. Bom, eu talvez esteja agradecendo cedo, entre hoje e amanhã ainda dá tempo de acontecer mais alguma polêmica que vai ser arrastada por toda a próxima semana. Mas por favor, já chega. Eu cansei.

Nem tanto da Luiza e da Monique, mas de você que ficou fazendo campanha anti-Big Brother e anti-Prolongação de Memes a semana toda. “Parem de falar da Luiza” “Parem de falar de Big Brother” “Parem de ver Big Brother”. Oi?

Olha, eu não fiz piada com a Luiza, não falei do Big Brother essa semana e nem vejo Big Brother. Não estou irritada pelo ataque aos meus gostos pessoais, mas pela sensação de que as pessoas se acham tão superiores pelos seus gostos que podem dizer ou não o que eu devo assistir ou o que devo postar em uma rede social.

Eu já gostei de Big Brother, assisti por muitos anos desde o primeiro. E em todos esses anos eu ouvi (e mais recentemente li) as pessoas dizendo que era um absurdo eu assistir um programa fútil desses. Que eu devia empregar melhor o meu tempo e assistir algo que proporcionasse uma cultura melhor.

E o que eu sempre penso dessas pessoas é: Então tudo que você faz e assiste na vida é construtivo e significativo? Você nunca vê videos de gatos no Youtube? Nunca lê piadas, nunca faz coisas idiotas com seus amigos, nunca assistiu seriado de comédia? Tudo que você faz na vida é para te levar a algum lugar? Então deve ser bem chato estar em qualquer lugar da sua vida.

Não vamos discutir a qualidade do Big Brother ok? Ele é um lixo, eu sei disso. Eu não assistia Big Brother pelo enriquecimento cultural que me proporcionava. Se assiste Big Brother porque é um entretenimento vazio, e todo mundo precisa de um pouco disso, ou o quanto quiser disso. E cada um faz do seu jeito.

Tem quem assista futebol (lembrando, não estamos discutindo a qualidade, então não estou dizendo ou não dizendo que futebol é tão vazio quanto Big Brother), tem quem leia a Contigo, tem quem veja TMZ, tem quem fique vendo imagens de Memes com piadinhas na internet, tem quem fique vendo videos de Tutorial de Maquiagem.

Quem está errado? Você que acha que sua escolha de diversão é melhor que de outra pessoa. Você que acha que tem que se posicionar como alguém que só faz boas escolhas entretenimento. Que não perde tempo.

“Eu não perco meu precioso tempo com isso, só cinema francês, só escuto música que não caiu no gosto popular e só entro em sites de Design” Muito bom, você é chato. Eu assisto cinema francês, hollywoodiano, brasileiro, vejo seriado, novela, escuto Britney Spears, Frank Sinantra, Chico Buarque, entro em site de design, de fofoca e o que eu bem entender!

Quem perde tempo é você, dispensando uma grande energia para demonstrar que você está acima de alguém porque gosta de dizer frases como “Mas você nunca assistiu um filme do Kubrick?”, “Você não tem nada melhor para fazer além de ver Big Brother?”.

Nunca ligo muito para esse julgamento, dispenso a opinião de qualquer pessoa que ache que é melhor que eu porque eu não me esforço para demonstrar minha cultura.

Cultura é que nem DNA, ninguém tem igual. Cada um teve uma vida, foi exposto a coisas diferentes, se deparou com coisas diferentes. E vai ter sempre algo que eu sei, que você não sabe e vice-versa. A única coisa que qualquer pessoa realmente inteligente sabe, é que ninguém sabe o suficiente, por tanto pregar sobre a futilidade das pessoas que gostam disso ou daquilo, é um pouco burro né?

Para fechar a semana como se tivesse tido um roteiro, o jornalista Carlos Nascimento fez seu pronunciamento sobre o comportamento dos internautas e da imprensa sobre as polêmicas, “Já fomos mais inteligentes”. Porque para o jornalista, seu ex-programa Jornal Hoje, fazer uma matéria bem construida sobre Memes, exemplificando com caso Luiza, foi um absurdo. A atenção dada ao provável caso de estupro no BBB, foi absurdo.

Somos burros porque fizemos uma piada coletiva com o país inteiro, porque quisermos exigir a apuração de violência sexual sendo transmitida ao vivo na TV.

Porque a força dos telespectadores que não são mais passivos ao que passa na televisão, obrigaram a imprensa comum a ter que notar e falar sobre o que nós resolvemos falar. Humm, parece mais que somos inteligentes não é? Que somos mais inteligentes do que éramos na época que só recebiamos a informação que a imprensa queria dar. Agora nós ajudamos a definir a informação e respondemos a ela como quisermos e essa resposta tem repercussão.

Vez ou outra nossas escolhas incomodam, por serem fúteis ou não. Mas o que realmente importa é que somos os donos da escolha, e as pessoas que acham que estão em uma posição de definir o que é bom e o que não é, é que ainda não estão entendendo a verdadeira inteligência do mundo. O poder da escolha.

Então, hoje somos mais inteligentes, o que não somos é mais humildes.

Fotos: Reprodução

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