Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo

Em 2012 se falou sobre o fim do mundo o ano todo. Sobre os malucos que acreditavam, sobre se fosse verdade, piadas, teorias, etc, etc. E mesmo que a gente não tenha acreditado nem um pouquinho, teve pelo menos um momento que a gente pensou na possibilidade. E se acabar mesmo?

Acho que todo mundo já pensou alguma vez o que faria se o mundo fosse acabar em 3 semanas por exemplo, e acho que quase todo mundo tem noção de que o que a gente acha que faria, e o que a gente realmente faria podem ser bem diferentes. Esse é o ponto de partida do filme Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo. Na história, um asteroide chamado Matilda vai colidir com a terra em no máximo 21 dias.

Procura-se um amigo para o fim do mundo

Dodge é um personagem típico de Steve Carell, e um homem de meia idade muito típico também. Não fez tudo que quis na vida, não foi atrás das coisas que mais amava porque era muito complicado, não tem muitas ambições a esse ponto e só quer sobreviver a cada dia com o minimo de problemas possíveis. Dodge tenta manter essa linha até com o fim do mundo chegando em 3 semanas. Continua indo ao trabalho, não quer viver a vida loucamente para se despedir, só quer sobreviver até a hora de morrer. Uma vida que muita gente leva tranquilamente.

A mulher de Dodge, infeliz no casamento desde de sempre, resolve deixá-lo assim que o fim do planeta se torna iminente. Isso o faz pensar no grande amor de sua vida. A mulher com quem ele não ficou porque seria complicado demais, mas que desejou estar todos os dias. Ai fica óbvia a história né? Ele vai aproveitar que não tem nada a perder para ir atrás dessa mulher.

Ai ele conhece Penny (Keira Knightley), a vizinha novinha e meio sem noção com quem ele nunca falou e que tem medo de morrer sem rever a familia. Óbvio de novo, os dois vão se unir e se ajudar. E o óbvio acaba ai. Uma comédia romântica com um plot interessante mas não muito surpreendente ganha uma carinha especial por construir personagens super reais que parecem pavê. Cheio de camadas – bagunçadas as vezes, bonitinhas outras, com partes mais doces e mais amargas e vocês já entenderam a metáfora. Dodge e Penny te deixam confuso sobre o que eles realmente estão buscando em sua aventura de fim do mundo, achando até que não faz sentido suas decisões, mas só porque eles também não sabem o que querem, o que realmente seria o fim ideal. E aí você passa por aquela feliz experiência da ficção de descobrir junto com os personagens o que ele realmente quer e ao mesmo tempo descobrir algo sobre si mesmo.

Procura-se um amigo para o fim do mundo

É interessante a visão do filme sobre o que o que fim iminente causa. Claro que não para todos – um dos personagens rapidinhos do filme diz que um homem nunca deve saber quando vai morrer, mas saber causa uma calma engraçada nos outros personagens. É como eliminar o elemento surpresa, ainda dá para morrer atropelado antes do asteroide colidir com a terra, mas eles esquecem essa possibilidade. Isso diz um pouco sobre como vivemos preocupados com as tantas possibilidades. Para cada situação da vida tem tantas possibilidades que as vezes não agimos ou escolhemos para não ter que lidar com uma delas, vivemos com medo do que pode acontecer e que quase nunca acontece.

Procura-se um amigo para o fim do mundo

Se você sabe qual é a pior coisa que vai acontecer na sua vida, o terror perde o impacto. Não vai ser mais fácil, talvez só tenha menos tormento. Se você sabe que não pode fazer tudo que sempre quis fazer, que não vai ter tempo de realizar aqueles sonhos do tipo ganhar muito dinheiro, ser o melhor em coisa x, conhecer o mundo todo, você é obrigado a editar. Descobrir as poucas coisas que te fazem extremamente feliz e que você pode fazer agora, com o que você tem. E normalmente se busca no mundo todo para encontrar algo que sempre esteve com você e você só consegue ver porque aprendeu tudo o que aprendeu procurando no mundo todo.

Procura-se um amigo para o fim do mundo

Mas as vezes está muito difícil encontrar, e então é melhor se tocar logo de onde está. E ai dá para editar, mesmo que o mundo não tenha acabado esse ano. E essa é a melhor mensagem que eu já tirei de um filme apocaliptico, por isso para um ano sobre o fim dos tempos como 2012, não tem filme melhor.

Fotos: Reprodução